segunda-feira, 16 de maio de 2011

Rir pra não chorar

A estudante do mestrado em Comunicação Social da UFC, Camila Chaves, que constrói a Anel e é nossa parceira, amiga do peito, irmã, camarada... Enviou pra gente esse texto que escreveu quando vivenciou um problema de insegurança na UFMA, que muito se parece com o que nós da UFC temos sofrido nesses tempos difíceis nos campi.
Queremos compartilhar com vocês para ajudar a clarear as idéias, contribuir com o nosso debate e divertir um pouquinho também...


Por que usar óculos durante as manhãs
Por Camila Chaves

Acordei às 6h, tomei banho e café e segui sem óculos para o trabalho porque sempre acreditei que são mais simpáticas as pessoas que não usam óculos durante as primeiras horas do dia, ainda que elas sejam míopes, que não cumprimentem as pessoas por não tê-las reconhecido, que percam alguns ônibus por não terem conseguido ler letreiros ou outras coisas parecidas.

Em lá chegando, abri a porta de minha sala e, ainda sem óculos, pus em prática tudo aquilo que um tímido que se preza ensaia diariamente durante seu percurso para que tenha a completa certeza de que as coisas acontecerão de forma natural: um sorriso largo, porém discreto; um bom dia animado; uma caminhada de uma ponta à outra até a geladeira; um copo com água.

Eu estava mandando muito bem, até que uma colega de trabalho me chamou até a porta e comentou com voz de discrição: - Ei. Fomos roubados na noite passada. Serraram a grade, quebraram o vidro da janela, entraram na sala e levaram todos os nossos monitores de LCD. Abri a porta novamente e, em um piscar de olhos, a cena estava exatamente ali, completamente montada.

Os cacos de vidro no chão, as grades retorcidas da janela, as pegadas empoeiradas sobre o estofado da cadeira, aquele vazio de monitores ausentes sobre a bancada, minhas digitais na geladeira, aquela piada que eu e uma amiga fizemos quando nossas bolsas tiveram atraso no depósito, a forma como meus olhos passeavam pelo livro que eu fingia ler enquanto a polícia federal vistoriava o local, tudo levava a crer que eu era a maior suspeita.

Mas era claro que eu não era.

Depois daquele, na Universidade Federal do Maranhão aconteceram tantos outros roubos e mesmo assaltos que muitos de nós talvez só teremos conhecimento quando a administração superior ordenar aos trabalhadores de sua assessoria que o divulguem para então justificar seus planos de segurança armada, catracas eletrônicas e fechamento dos portões que dão acesso às comunidades vizinhas, como o Sá Viana e a Vila Embratel.

Na Ufma, não se fala em concurso público para substituição de uma segurança feita de forma terceirizada que serve para intimidar estudantes em reivindicação e trabalhadores que fazem o trajeto pelo campus porque não podem pagar o valor cobrado pelo transporte público, mas que em contrapartida não consegue arcar nem mesmo com o seu principal, porém absurdo objetivo, o de proteger o patrimônio físico da Universidade.

Eu não queria, mas já há algum tempo voltei a usar óculos às primeiras horas da manhã. Fez-se necessário.

Publicado em 8 de agosto de 2010.


Assista também ao divertido protesto dos estudantes do Curso de Letras- Jonas Daniel e Sandra Mara.


segunda-feira, 9 de maio de 2011

Um dia inédito no bosque Moreira Campos



Hoje, dia 09 de maio de 2011, estudantes se reuniram no bosque e o que parecia ser de longe apenas alguns desocupados, eram pessoas que lutavam pela melhoria da nossa universidade e da sociedade como um todo. Os atos de violência que vêm ocorrendo no Centro de Humanidades I, prejudicando alunos dos cursos da casa de cultura e da graduação, além dos professores, não podem simplesmente passar despercebidos por nós alunos pussuidores de uma mente crítica e vítimas dessa mesma violência.

Mas como fazer para ir além das palavras? Buscando os estudantes, ouvindo o que eles acreditam ser melhor para a Universidade, debater os argumentos e lutar pelo objetivo. Vamos pensar juntos num meio de trazer segurança para o nosso centro de humanidades sem restringir o uso. E que seja tomado uma decisão democrática, justa e que traga benefícios para os estudantes e para a população em geral.